segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!

Florbela Espanca

sábado, 10 de agosto de 2013

Meus lábios estão roxos e inchados,
Teu perfume está pela casa e na minha pele,
Estou com uma sensação de grito trancado,
O calor do teu rosto expele.

Nossos beijos intercalados por sorrisos,
Te senti minha por minutos,
Eu nos senti.

“Eu te digo o melhor que posso,
Inclina-se para um grande beijo,
Coloque o seu melhor perfume”
Assim cantava Lana,
O som do nosso desejo.

Disse que eu te tinha mais que aquele,
O homem que vai te ter essa noite,
Enquanto a imagem do nosso apetite,
Te faz sorrir e inclinar a cabeça como eu,  grite
Ou sussurre que o ama, assim como fez  aqui, na minha cama.




sábado, 3 de agosto de 2013

Queria voltar a ser criança,
Abrir a porta e falar “querida cheguei”,
Ou do banheiro gritar “mãe, terminei”.

Dança na chuva, bolo de barro,
Esconde-esconde, amigo imaginário
Cabra cega, cabana de lençol,
- Mãe, to indo ali no fulano.
- Vem pra casa antes de se por o sol.

Queria acordar cedo sem reclamar,
Ir para o sofá arrastando o travesseiro,
Ligar a TV, deitar, e no nariz colocar o “cheiro”,
Aquele paninho com tecido bom,
Que quando esfrega faz rom rom.

Ali, no sofá, eu vou me preocupar,
E agora como o Jerry vai escapar¿
Vejo Looney tunes, Maskára,
Ursinhos carinhos, Dick Vigarista,
Flinstons, Corrida Maluca, Os Anjinhos,
Turma do recreio, do chaves e do bairro.

Hoje tem lanche partilhado,
Depois vamos correr no recreio pra não ser alcançado,
- Está chovendo, não precisa ir para a escola.
- Vou terminar de tomar o nescau e ir pra rua jogar bola.
Tempo!
Fandangos, traquinas, Coca cola.

“Bananas de pijamas descendo as escadas,
Pelos de poderes de Grayskull,
Scooby doo by doo,
bum bum bum castelo ratimbum.“
 (Quem não leu imitando não está aproveitando)

-Mãe me dá um Kinder ovo?                                    
Elefantinhos, Smurfs, Fantasmini,
Gnomus, Jacarés, Hipopotamos baby.

Estilingue, pipa , io-iô, peão
Fofolete,casinha, bonecão
Carrinho de rolimã, bate bate,
Quem nunca teve um tamagotchi,
Não sabe o que é ter responsabilidade.

“Quem ganhar vai comigo eu tenho o batedor”
“Não vale lamber a mão, perdedor”
“Eu escolho você Pokémon!”
Yu-gi-oh, Hamtaro, Digimon

Mexe, mexe, mexe com as mãos, pequeninas
Lago Azul, O Riquinho, Denis o pimentinha
É o tchan, Sandy e Junior, Mamonas assassinas
Bambuluá, Xou da Xuxa, TV Cruj, Bom dia e Companhia

Emília, Visconde e Pedrinho,
Super choque, Três espiãs demais,
Lindinha, Florzinha e Docinho,
Hakuna Matata - Timão e Pumba não perdia jamais.

Naquela época meus amigos ao mentiam,
“Criança não mente”,
Papel Noel, Coelho da páscoa, fada do dente.

E dizem que melhor idade são as últimas,
Quando se olha no espelho e só se tem rugas,
Por não ter aproveitado tudo com tanta vontade,
E não poder voltar a ser criança de verdade. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Que espécie de povo bravo, forte e retumbante é esse¿
Que estranha o grito dos que estão na rua por seus interesses
Que espécie de brasileiros é essa que ouve funk e não sabe o que é MPB,
A música que nasceu pra apontar o dedo pra ditadura militar,
Em 1964, quando as forças armadas derrubam João Goulart,
Que justiça é essa que se diz lutar por saúde e educação,
Onde o educador ganha migalhas e o médico um milhão,
Que povo é esse que manda a mídia tomar se foder,
Chega em casa e se informa pelos noticiários corruptos da TV
Que governo é esse que não vê,
 Mães e bebês morrendo em portas de hospitais por falta de quem ter que atender,
Que amor pela nação tão grande,
Onde não se vê a hora de ir embora pra um país brilhante,
Onde está a solidariedade¿
Com o cachorro do mendigo no centro da cidade,
Pichações, drogas e pobreza,
A cara do Brasil com certeza,
Um povo que grita gol,

Pra corrupção, injustiça e pro funk. Show.

sábado, 27 de julho de 2013

Ontem eu falei com um sábio,
Ele me trouxe pra realidade, estilhaço
Falou que nem tudo se resume a entusiasmo,
E que o circo não se faz só de palhaço.

O palhaço é quem traz a alegria,
O momento mais esperado do espetáculo,
Pelas crianças, eu diria
Que ainda tem a ingenuidade de rir de um tropeço,
Com aquela vontade que não tem preço.

Já o adulto,
Esse está ansioso para ver o domador,
Correr o perigo de perder seu valor,
Na boca de um leão,
Na frente de toda multidão.

Ingenuidade de criança a minha,
Acreditar que o sentimento se resume ao entusiasmo,
O verso se resume a inspiração,
Que a forte pulsação,
É o coração da relação.

Abriu meus olhos,
E confesso, perdi um pouco da empolgação,
Escrevia como uma criança,
E agora tenho medo de morrer como o domador,

Na boca de um leão.

sábado, 20 de julho de 2013

-E quando não tiver mais o que escrever, como vai ser?
-Ó minha filha, não pense nisso,
Viver sem pensar é o que te faria não escrever,
E viver sem pensar não é viver,
É morrer,
O que seria dela(a vida) sem sentimentos?
-Ventos?
-Sussurros de tormentos,
Por ter ficado ao relento,
Por não ter se expressado,
Parado e pensado,
Que o que te faz sorrir é o mesmo que te faz chorar,
Que o medo trava, entrava
O choro afaga,
O melhor é se entregar
- Mas moço, vale mesmo à pena,
Escrever esses poemas,
Tentar transmitir em palavras,
O tom dos versos, de um amor, e de um dilema?
- Sim, no fim o que ficam são as notas,
(res)Sentimentos de cartas sem respostas,
Ou felicidades de encontrar a beleza nas estrelas,
Quanta ousadia a minha,
Não, proeza
Afinal só vê a rima,
Quem tem o dom de saber canta-lá, senti-lá,
Todavia, quem não admirar a riqueza dos sentimentos,

Infelizmente moça, esse merece o som e o (res)sentimento do vento.
Vinho tinto,
Lábios roxos,
Conversa fluindo,
Sorrisos frouxos.
Fogo, lareira,
Era frio,
Agora quente, clareira,
Corpo mole, sutil.
Palavras faladas,
Antes articuladas,
Estava faltando coragem,
Agora ela exala.
Vem, chega mais perto
Ou me filma com olhar de recém descoberto,
Mas me domina,
Me faz a tua sina,
Consigo sentir teu corpo,
Mesmo distante, e isso não te constrange,
Tome mais uns goles,
Seremos então vozes,

Depois... Vorazes.

Amores, bebidas, sentimentos, vidas

Amnésia ao acordar,
Esqueço das pessoas do presente,
Sinto o passado escapar,
Me sinto ausente.
Acordo precisando conquistar um novo amor,
Ou reconquista-los,
Acabo deixando vulneráveis,
Os que estão no calor.
O que eu tenho domínio perde a graça,
Vira em traça,
Moço?!
"Outra taça,
E por favor,
Que me refaça"
Com amor, ou sem
As vezes o bom é a dor,
Dor de amor,
Ela me (convêm),
Paixão, sem razão,
Sem script,
Uma pitada de drama,
Mas que prevaleça a ação
Pode ser carnal,
Homo ou heterossexual,
Repentino,
Desatino,
Frio e fino como champanhe francês,
Ou quente e charmoso como cappuccino.
Moço, não deixe eu me perder entre essas bebidas,
Não quero sentimentos e vidas,
Corrompidos pelo meu prazer,
De poder encontrar e perder,

Amores a cada amanhecer.